Estávamos divagando numa mesa
taças de vinho
poemas rabiscados
eis que surge Pessoa todo estiloso
de chapéu, bigode fino
seus olhos brilharam
ao aceitar nosso convite
Conhecemos os seus diversos heterônimos
Naquela noite a poesia foi acompanhada de muita prosa
Álvaro de campos inconformado com tudo
Recitou uma poesia
Dizendo sobre o poder da liberdade
Seus versos eram intensos e sempre sinceros
Até que surge Alberto Caeiro
Sem muito diálogo
Falava sem pensar
Com poesias objetivas
Ricardo Reis começou falar sobre mitologia
Disse que iria ensinar muitas coisas
Cheio de princípios aristocráticos
A nossa noite estava apenas começando
Pessoa em determinada hora ficou pensativo
Nós apreensivos esperando ele recitar
Levantou-se, tirou o chapéu
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo."
Cabisbaixo volta para a mesa
Ninguém entendeu nada
E nós caímos na risada a noite toda
Branca & Murillo Kollek
22/07/2020
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